Durante os próximos meses, os chefs Anna Lins, Natalie Castro e Nuno Gonçalves realizarão ainda jantares pop-up, que prometem animar ainda mais o Príncipe Real.
Numa cidade como Lisboa, a restauração é uma atividade bastante dinâmica e o ritmo a que abrem e fecham espaços é considerável. Portanto, não é todos os dias que vemos um restaurante celebrar 1o anos. É com esta reflexão, enquanto provamos uns vinhos, antes de nos sentarmos à mesa para conhecer as boas novas do Missa Jappa para 2026, que Diogo Martorell, cofundador, com a irmã, Joana Martorell, faz questão de assinalar o marco.
Conhecemos o Missa Jappa pouco depois de abrir, no inicio de 2016 (ler aqui) e conversámos com a chef Anna Lins, a primeira sushiwoman em Portugal e que, na altura, estava nos comandos da cozinha.












Foi para recordar os bons momentos do passado, que a chef Anna Lins revisitou o seu prato mais impactante, a toleta russa. A ideia foi criar uma experiência marcada pelo divertimento à mesa. Assim, nasceu o The Bomb, um prato de sushi bites de atum, salmão e camarão, como uma espécie de jogo de sorte, em que se poderá habilitar a ganhar a “bomba”.
Além do momento lúdico, a chef apresenta o crudo de atum braseado, com abacaxi picado, fios crocantes de beterraba, cebolinho, chili lime e molho de soja fumado. Na onda da junk food japonesa (a tradicional comida de rua), o onigiri grelhado reinventa o clássico “pastel” de arroz. A carne é temperada com cebolinho e gengibre, envolta em alga nori e finalizada com uma crosta de queijos mozzarella. É uma sugestão consensual.
O chef Nuno Gonçalves, cofundador do The Ramen Supperclub, traz a mais-valia da sua experiência em ramen e street food, fruto das suas viagens a Tóquio. Criou o único prato de udon presente na carta, o zaru udon, com massa udon, cachaço de porco, molho de amendoim, coentros e pepino, e o Tokyo shoyu ramen, com um caldo rico de frango, acompanhado por cachaço de porco, óleo de chalotas, cebolo, gengibre e ovo ajitama.
Mas a verdadeira criação-estrela do chef Nuno Gonçalves e, atrevo-me a dizer, do almoço, foram as asas de frango deep fried, cebolo, molho de soja, mirij, gengibre, e sementes de sésamo. Chama-se nagoya tebasaki e é para comer com as mãos sem vergonha de se lambuzar.
A chef Natalie Castro completa o trio, tendo como desempenho o papel de criar pontes gastronómicas entre ingredientes tipicamente portugueses trabalhados com técnicas. É o caso do congee com amêijoas e coentros preparado com arroz, caldo de frango, amêijoas, cebolinho, sementes. Na mesma linha está o roru kyabetsu, nada menos que rolinhos de couve-lombarda recheados com carne picada, tomate, gengibre, alho, mirin, sake e molho de soja.
Para terminar, a fusão manifesta-se novamente no momento mais doce, com a tarte de yuzu merengada. Se houver capacidade de encaixe, no que ao estômago diz respeito, experimente, também, o chocolate branco leomongrass pera e granita de shiso e a gyosa de maçã, com creme de amêndoa e matcha.
Para acompanhar tudo isto, há uma renovada carta de sakês e vinhos de baixa intervenção das regiões da Bairrada, do Dão e Vinhos Verdes.
Em relação ao ciclo de jantares pop-up, que têm como objetivo celebrar o 1o.º aniversário do Missa Jappa, fique com o registo de que os primeiros se realizam nos dias 26 e 27 de fevereiro, com a chef Natalie.
O restaurante está instalado no n.º 5 da praça do Príncipe Real, em Lisboa, e está aberto de segunda-feira a domingo, entre as 18h30 e as 23h30, bem como ao almoço dos fins de semana, das 12h00 às 15h30.
Bom apetite! •


