A gastronomia açoriana a oito mãos

Os Açores regressaram à mesa do Grill D. Fernando, no Altis Grand Hotel, na cidade das sete colinas, para a 2.ª edição do jantar Açores em Lisboa.

Camarão, cracas, ice plan e algas

Harmonizados pelos néctares de Baco oriundos de tão belo arquipélago emergido no oceano Atlântico, o jantar vínico, ao cuidado de quatro chefs, foi protagonizado pelo que o mar e a terra dos Açores nos dá. Duas mãos cheias de boas razões para provar os pratos assinados por Rui Santos Silva e Alexandre Gomes, chef e sub-chef da cozinha do Grill D. Fernando, e o chef Cláudio Pontes e o sub-chef Nuno Santos, do Anfiteatro, o restaurante da Escola de Formação Turística e Hoteleira dos Açores, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.

Para iniciar o repasto, os anfitriões da cozinha do restaurante do Altis Grand Hotel juntaram camarão, cracas, ice plan e algas, um prato com o sabor a mar bem presente e em boa harmonização com Curral Altantis Verdelho & Arinto 2014, um Vinho Regional dos Açores, com uma mineralidade, uma acidez e de uma natureza salínica muito características do legado de Baco na ilha do Pico.

Cebola do mar, bonito, algas e pérolas

Cláudio Pontes e Nuno Santos prepararam, por sua vez, um prato composto por cebola do mar, bonito (ou atum), algas e pérolas, que reportou os presentes à Lagoa das Furnas por sugestão do nome e da apresentação, bem como ao sabor semelhante à sopa miso, combinado, e bem, com um Terras de Lava branco 2014, IG (Indicação Geográfica) Açores.

Congro, boca-negra, lapas, bugango e falso arroz

O tributo à mesa ao arquipélago português prosseguiu com o congro, o boca-negra, as lapas, o bugango (ou mugango) e falso arroz, os produtos que fizeram parte do prato de peixe assinado pelos chefs convidados, o qual foi casado com um Cacarita branco 2014. Um vinho da adega A Buraca, de São Roque, na ilha do Pico, e cujas vinhas foram plantadas na área classificada de Património Mundial – e Cacarita é o nome de família, a mesma que, da colheita de 2013, produziram o primeiro branco seco.

Limousine da ilha de Santa Maria, inhame e boletus edulis

Da carne, que veio da ilha para o continente, Rui Santos Silva e Alexandre Gomes, elegeram limousine da ilha de Santa Maria, inhame e boletus edulis, um prato de truz harmonizado com um Tinto Vulcânico 2014, IG Açores, um tinto fresco desenhado pelo enólogo António Maçanita, enólogo português de 35 anos.

Araçalada bombom do morro, ilha e lagido

Das mãos dos chefs oriundos dos Açores saiu uma curiosa pré-sobremesa feita a partir de araça (fruto originário da América do Sul), bombom do morro, ilha e lagido, sabores que combinaram na perfeição.

Brownie de castanha da Terceira e gelado de chá verde da casa Gorreana

No doce final, os chefs anfitriões apresentaram um generoso brownie de castanha da Terceira e gelado de chá verde da casa Gorreana, para terminar o repasto na perfeição ao lado de um (verdadeiro) Czar 2008, um vinho licoroso – e não fortificado, ou seja, sem adição de álcool – da ilha do Pico, feito a partir das castas Verdelho e Arinto dos Açores, e Terrantez, do Pico, com produção de Fortunato Garcia. O número de garrafas é de apenas mil. •

+ Altis Grand Hotel
+ Escola de Formação Turística e Hoteleira dos Açores
© Fotografia: João Pedro Rato
Legenda da foto de entrada: Lagoa do Fogo

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