Em sintonia com a Natureza / Herdade do Freixo

São 300 hectares de terra alentejana, onde o vinhedo, resultante de um desafio apresentado há dez anos, dá o fruto convertido em vinho numa adega recatada, escavada no solo e alheia aos olhos de quem contempla a paisagem preservada por quem a trabalha e assente na sustentabildiade.

A acústica da sala onde o vinho aguarda, sereno, pelo fim de estágio, assemelha-se à de uma catedral

Na aldeia do Freixo, entre a Serra d’Ossa – a norte e a noroeste – e Évora, no concelho de Redondo, a paisagem natural, abrangida pelo regime de Reserva Ecológica Municipal, impera pela genuinidade traçada pelas oliveiras milenares e centenárias, pelas pastagens e pelos sobreiros, e pela vinha plantada, há cerca de sete anos, a 450 metros de altitude, pois tudo foi estudado ao mais ínfimo pormenor por Pedro Vasconcellos e Souza, nome desde sempre ligado ao mundo vínico, sobretudo à Casa de Santar, propriedade da família, na região do Dão mas, agora, enólogo e administrador executivo da Herdade do Freixo.

Eis a propriedade alentejana em que o nosso anfitrião apostou na produção de vinho após um desafio que lhe foi apresentado, há dez anos, num jantar de amigos. “Tinha o potencial e a ambição de criar um projecto de referência, mas precisava de alguém com potencial de investimento” conseguindo, assim, concretizar um sonho e uma paixão comungada por um grupo de parceiros que deu vida a este projecto.

Espera-se que, quando as videiras crescerem, a adega fique oculta ao olhar

No solo rochoso, onde predominam o xisto, o granito e o calcário, factores que concedem a mineralidade e frescura aos vinhos que se querem, ao mesmo tempo, com longevidade em contraponto com o legado de Baco da região, foram plantados 26 hectares de vinho. Assim, e de acordo com o potencial do terroir, a disposição da vinha e a disponibilidade em água, a escolha das castas recaiu na Tourga Nacional, no Cabernet Sauvignon – a casta preferida de Pedro Vasconcellos e Souza –, no Alicant Bouschet, no Petit Verdot e no Syrah; enquanto nas brancas, a lista é composta por Arinto, Sauvignon Blanc, Alvarinho, Chardonnay e Riesling. A escolha das castas denota, por sua vez, as influências dos lugares ponde andou o mentor do projecto – Dão, Borgonha, Suíça, Montepelier.

As curvas projectadas pelo arquitecto Frederico Valsassina reflectem a fluidez espacial ao longo do interior do edifício

A aposta reflecte-se, desde o início, em “vinhos premium e super premium com, pelo menos, 12 meses de estágio em barricas”. Para o efeito, e com o intuito de reforçar o respeito pela Natureza, Pedro Vasconcellos e Souza quis enterrar a adega, para “não ferir a paisagem” e levar avante a concepção de uma a descida das uvas sem obstáculos, tivesse luz natural, ocultasse todas as tubagens e permitisse a circulação fluída do(s) visitante(s). “Frederico Valssassina foi o arquitecto que aceitou o desafio.”

A madeira e o xisto predominam na lista de materiais eleitos

Com um volume que ocupa até 40 metros de profundidade, e coberta por videiras cujas uvas são da casta Syrag, a adega foi desenhada num registo de posição servil para com a vinha. No interior do edifício, composto por três pisos, predominam a madeira e o xisto, tendo a terra retirada durante a escavação do solo sido utilizada na feitura do cimento. “Não há quadros. Só há vinha e vinho”, e a mais moderna tecnologia de vinificação associada ao equipamento, que inclui as cubas abertas e as fechadas, além dos balseiros de carvalho francês. Todos dispõem de um sistema de controlo de temperatura afinado com precisão devida para cada lote.

A aposta forte na sustentabilidade prossegue com as vides da poda transformadas em pellets, a fim de alimentar a caldeira de aquecimento, e com o tratamento das águas numa estação particular própria para o efeito, com o propósito de, depois, ser aproveitada para regar a vinha.

A loja ostenta o trio de referências da Herdade do Freixo

Falemos dos vinhos, sobre o primeiros legados de um património que resulta de um trabalho feito com afinco. Comecemos pelo Freixo Reserva branco 2015, que estreou no mercado em Junho de 2016. Elaborado a partir das castas Arinto, Alvarinho e Sauvignon Blanc, este lote é para servir a 10° C e harmonizar com pratos de peixe fresco, saladas, sushi, entre outros pratos da cozinha oriental com especiarias.

Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet são as castas que compõem o Freixo Reserva tinto 2014

Já o Freixo Reserva tinto 2014, feito a partir de uma selecção de uvas das castas Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet, é para servir a 16° C, sendo ideal para acompanhar pratos de carne e peixe do receituário regional do nosso país. Aos menos “apressados” recomendamos que guarde o vinho por mais um ou dois anos, pois denota um bom potencial de envelhecimento.

Freixo Family Collection tinto 2014 é o lote de vinho numerado desenhado pelo enólogo Pedro Vasconcellos de Souza

O mesmo podemos aconselhar a respeito do Freixo Family Collection tinto 2014, o topo de gama da Herdade do Freixo numerado e que resulta da selecção das melhores uvas das castas Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet e Petit Verdot, seguindo-se um estágio de 14 meses, em barricas novas de carvalho francês, ao qual se seguiu um outro, de oito meses, em garrafa. Quanto à criação da imagem desta referência vínica da Herdade do Freixo, a identidade gráfica da empresa e do nome estiveram nas mãos da equipa do atelier 3H Comunicação, da responsabilidade criativa de Ana Maria de Freitas, enquanto que o brasão de armas da família foi redesenhado pelo mestre gravador britânico Christopher Wormell, com o propósito de, assim, o rótulo representasse a elegância, qualidade e o desvelo exigidos pelo conceito da marca.

Já a respeito da imagem dos dois primeiros vinhos, Pedro Vasconcellos de Souza referiu o nome de Alice Quina, do Atelier do Vinho.

De portas abertas desde o passado dia 2 de Novembro, e em regime open month até ao final de 2016 (para visitas que não incluam prova de vinhos), a adega da Herdade do Freixo reflecte a aposta no enoturismo e, ao mesmo tempo, em reforçar a Rota dos Vinhos do Alentejo. Tome nota do horário: De Segunda a Sexta, das 11.30 às 15 horas, de 1 de Outubro a 30 de Abril; e das 10 às 16.30 horas, de 1 de Maio a 30 de Setembro. Aos Sábados a marcação prévia carece de 25 por cento de pré-pagamento e as reservas com repastos e/ou tábua de enchidos com aviso prévio e 50 por cento de pré-pagamento (encerra aos Domingos e feriados, nos dias 24 e 31 de Dezembro e 2 de Janeiro (à excepção de eventos pré-reservados).

Quanto à loja, este espaço funciona das 10 às 17 horas de Segunda a Sexta (excepto nos dias 24 e 31 de Dezembro, e 1 de Janeiro).

A ir! •

+ Herdade do Freixo
© Fotografia: João Pedro Rato

Já recebe a Mutante por e-mail? Subscreva aqui.