A arte, o vinho e a bistronomia / Porto Bay Liberdade

A fachada histórica do palacete do n.º 8 da rua Rosa de Araújo, em Lisboa, preserva a linguagem do passado com uma abordagem do contemporâneo guardando, no seu interior, o estilo de uma época primado pelo bem-estar e por uma cozinha sedutora apresentada num espaço que convida a ficar…

Aviator 6, perfeito para fazer o check in numa viagem por Lisboa e pelo mundo

O arquiteto Frederico Valsassina assina o projeto de recuperação do edifício datado do início do século XX, o qual, cerca de cem anos depois, alberga o Porto Bay Liberdade do Grupo Porto Bay, da Madeira.

Os quadros de artistas portugueses povoam as paredes do hotel

Uma homenagem à cidade das sete colinas cujas portas da hospitalidade dão azo à contemplação da arte numa sonata expositora das pintoras Ana Vidigal e Catarina Pinto Leite, do artista plástico português Artur Bual, do pintor, escultor, ilustrador e poeta Cruzeiro Seixas e da pintora Maria Inês, mais conhecida por Menez, harmonizada com as peças de mobiliário oriundos do mundo inteiro e que tão bem coabitam em cada espaço, mesmo nos aposentos, onde o conforto é a palavra de ordem. Já na fotografia, Henrique Seruca recria um novo olhar sobre a imensidão do Tejo, o casario de Alfama, o emblemático e cultural Chiado, o histórico Rossio e a ostentosa Avenida, em cada piso do hotel dedicado à cidade das sete colinas.

Sentemo-nos. Na esplanada do Aviator 6, o bar do hotel contíguo à receção, inspirado nos aviões e decorado por peças que reportam os hóspedes a viajar entre conversas depois de fazer o check-in para a bebida do momento, um cocktail ou um vinho de entre os 200 eleitos para fazer parte da carta. Ou no Deck 7, o lounge no topo do edifício, um espaço intimista e cosmopolita, que convida a um gin ou um cocktail na companhia de um snack ligeiro depois de uns breves – ou prolongados – momentos no jacuzzi. Preguicemos na chaise lounge.

Na piscina reina a tão desejada calma no coração da cidade

O mergulho na piscina, junto ao Spa, fica para mais tarde. Afinal, o Porto Bay Liberdade é um hotel de cidade e, para quem não a conhece, há que desfrutar da vista e partir à descoberta.

As espreguiçadeiras prometem o tão merecido descanso de turistas e viajantes

Depois, sim, é chegada a hora da vitality pool, com luz natural e virada para um pequeno terraço, onde não faltam espreguiçadeiras. A meio da escadaria que dele faz parte, acolhe as majestosas portadas de entrada de uma casa da Indonésia. Uma instalação, dizemos nós, a que ninguém fica indiferente e que nos leva a viajar pelo mundo enquanto o tempo passa por entre os ponteiros do relógio.

“O apetite nasce à mesa”

O tributo à azulejaria portuguesa pela artista plástica Joana Rego

Inspirado no ditado popular, eis o ponto de partida da carta do Bistrô 4, o restaurante do Porto Bay Liberdade, desenhada por Benoît Sinthon, chefe do Il Gallo d’Oro, e executada, com a devida mestria, por João Espírito Santo, o chef madeirense que cozinha “de coração”. A aclamação da bistronomia, que emerge numa dialética entre o rigor e a qualidade à mesa de uma cozinha tradicional baseada nos clássicos franceses e nos sabores portugueses, com um toque brasileiro. Uma viagem gastronómica pelos destinos do Grupo Porto Bay.

Em jeito de boas-vindas, Victor Jardim, o escanção que, com a experiência do Il Gallo d’Oro (1 estrela Michelin), o restaurante do Cliff Bay, no Funchal, recomenda um Blandy’s Sercial 5 Anos Seco, que compõe a coleção de vinhos Madeira e faz parte do legado de Baco exposto na garrafeira, o corredor de acesso ao Bistrô 4. E porque o tempo está de feição, é reservada mesa no Pátio dos Limoeiros, onde o tributo à azulejaria é ditado por um refrescante painel de azulejos assinado pela artista plástica Joana Rêgo.

A cavala marinada com legumes, o peito de codorniz com molho asiático e as azeitonas marinadas em gin e funcho

Entre a partilhar os petiscos da carta, que abre o apetite dos comensais com frios e quentes, como o memorável peito de codorniz com molho asiático, picante q.b., sem se sobrepor ao sabor do ingrediente principal, e acompanhado por sementes de sésamo e de linhaça, e rebentos de ervilha, a cavala marinada com legumes, as azeitonas marinadas em gin e funcho, que dão frescura e tão bem sabem acicatar o palato, também ele conquistado pelo riete de salmão fumado e cebolinho em azeite, um dos três elementos do couvert, ao lado de uma seleção de deliciosos pães e manteiga. Uma mão cheia de iguarias harmonizada com um Morgadio da Calçada Reserva branco 2010, um vinho duriense.

Omeleta de camarão com cebolinho e molho de crustáceos

A viagem prossegue à mesa do Bistrô, com uma omeleta de camarão, com cebolinho, enrolada e cozinhada em lume brando, e regada, já no prato, com molho de crustáceos, conferindo-lhe um toque exótico e aprazível na boca, ao lado de umas viciantes batatas fritas. Um momento mui aprazível na companhia de um Espumante Terras do Demo, feito a partir da casta Malvasia Fina, da Comissão Vitivinícola Nacional Távora-Varosa, das terras da Beira Alta.

E porque “Barriga vazia não conhece alegria”, chega a vez do peixe da costa com cuscuz chow mein, uma pitada de exotismo que reforça o sabor a mar neste prato harmonizado com um Quinta do Monte d’Oiro Voignier branco 2013. E outros há, para acalentar o apetite de apreciadores de um repasto se sabores genuínos, como o filete de peixe espada preto ou o bacalhau que queria ser à Brás, ou a bochecha de vitela confitada.

A mui saborora e suculenta carne maturada

Sobre carne, a recomendação do chefe João Espírito Santo recaiu na maturada, pois “é muito importante para nós oferecer carne tenra, macia, suculenta, cum uma gordura branca e delicada”. A frase lê-se na carta, à qual acrescentar-lhe-íamos a palavra saborosa, porque o é, especialmente a par com um Dona Maria Amantis Reserva 2009, um tinto composto pelas castas Syrah, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Touriga Nacional. Na carta, há ainda vaca grelhada temperada com sal marinho e o porco bísaro ou alentejano na frigideira.

O roteiro de sabores por Paris, Lisboa e Funchal

Guardem espaço para o doce check in – sim, leu bem –, pois a viagem parece estar no início com escala em três cidades: Paris > Lisboa > Funchal. Uma sobremesa da autoria do chefe Benoît Sinthon que, da capital francesa, trouxe a massa choux (usada nos eclairs e nos profiteroles), da cidade das sete colinas, guaráneceu cm o creme de pastel de nata e, do Funchal, o bolo de mel. Et voilá! Uma combinação de comer e chorar por mais.

Pastel de maçã com azeite, louro e creme de ovos

Dos sabores da ilha, onde vive há quase duas décadas, o chef francês desenhou a trouxa de maracujá e a panna cotta de banana, o melhor de dois mundos, em que a acidez do primeiro equilibra a doçura do segundo. A reinterpretação tarte de maçã, também merece uma salva de palmas pelo pastel de maçã com azeite, louro e creme de ovos e todos tiveram um encontro arrebatador com um Blandy’s Bual 10 anos, da Madeira.

Curiosos em relação às outras sugestões da carta? O melhor é ir ao Bistrô 4 e experimentar o que de tão bom se faz por lá. Bom apetite! E, já agora, boa estadia.

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© Fotografia: João Pedro Rato Fotografia

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