O restaurante que nos faz sentir em casa / Boubou’s 

A cozinha “petisca” pratos dos quatro cantos do mundo. Está sempre aberta para receber quem vive e trabalha na cidade de Lisboa. A carta vínica revela-se alternativa.

O convidativo terraço em pleno coração de Lisboa

Depois de passar o pequeno hall convidativo para um aperitivo, e onde são dadas as boas-vindas, entra-se na sala do restaurante Boubou’s. Ampla, luminosa e decorada com gosto, está aberta para a cozinha, que mostra a azáfama dos cozinheiros. 

À frente da cozinha está a chef Luísa, o braço direito dos proprietários: o irmão, Alexis, e a cunhada, Agnes Bourrat. Ele é luso-francês, nascido em Lyon, tal como a irmã. Ela é hungaro-inglesa, natural de Budapeste. Ambos conheceram-se em Londres, apaixonaram-se em “Terras de Sua Majestade”, mais concretamente no Mandarin Oriental – onde, por vezes, a Rainha ia jantar – e, há dois anos, passaram a viver em Lisboa, onde a “qualidade de vida” se reflecte como o ingrediente principal da decisão desta mudança. O nome do restaurante é, como já deve ter percebido, a repetição do início do apelido do casal.

Contíguo à sala está o terraço. Confortável e cheio de luz denota, também, uma decoração feita a preceito, onde as mantas quentes reflectem a delicadeza de Agnes Bourrat para com os clientes, nos dias frios de Outono e Inverno. Como em casa.

Mas vamos por partes. Primeiro a comida. Alexis Bourrat diz não haver um conceito instituído no Boubou’s comparando-a, porém, a de uma brasserie francesa. Mesmo assim, não se trata de um restaurante francês. A carta reflecte uma pequena viagem por cozinhas do mundo por onde andou a chef Luísa Bourrat – há pitadas de ingredientes da América Latina, bem como do receituário árabe, italiano ou do Oriente, sem esquecer as influências portuguesas. Portanto, cor e sabores não faltam nesta casa onde é dada primazia aos produtos locais e aos da estação. 

“Como estamos na capital, estamos sempre abertos”, afirma o co-proprietário que expressa “respeito pelo modo de vida da cidade”. Por essa razão, o horário do Boubou’s é das 12h00 às 00h00. Sem interrupções na cozinha.

Agora, sim, uma parte da carta, já que a outra parte terá de ser explorada no local. Desafio aceite? 

Para partilhar com a conversa: gambas grelhadas com gengibre e koshu (em cima), o tártaro de novilho (à esquerda), as lulas crocantes (à direita) e Poço do Lobo Arinto 1994, das Caves São João, na região vitivinícola da Bairrada

Para entreter o palato ou petiscar durante a tarde, foram criados seis snacks. As lulas crocantes é apenas uma das propostas da chef, além de, por exemplo, ostras, yuzu (citrino asiático) e huacatay (erva aromática utilizada na América Latina) ou croquetes de coelho.

As gambas grelhadas com gengibre e koshu (casta branca com origem no Cáucaso, a qual fora introduzida no Japão, na era da Rota da Seda) são uma óptima sugestão para quem tanto aprecia uma entrada de marisco. O ceviche de atum com leite de coco é outra das propostas a ter em conta, desta feita, da carta do menu de almoço do restaurante. Ou o delicioso e muito bem confeccionado tártaro de novilho com alcachofras, hortelã e pimenta. Além destes, a carta do Boubou’s apresenta outras cinco entradas e saladas a experimentar.

Nos pratos não falta o peixe do dia. Entre outros exemplos de boa comida, fica o pappardelle (tiras largas de massa) com sapateira e bisque de lavagante, para acicatar o apetite de quem nos lê.

Cordeiro, pão pita e condimentos orientais, acompanhado por um Outeiros Altos Reserva tinto 2015, vinho DOC Alentejo da Herdade dos Outeiros Altos, protagonizou o banquete, ao lado da pappardelle com sapateira e bisque de lavagante

É chegado o momento do banquete, como lhe chama o nosso anfitrião. Chama-se “go big or go home” e trata-se de “um prato gigante para dividir”. Um deles é o cordeiro, desossado na mesa e servido com pão pita e condimentos orientais. Depois há que “pôr a mão na massa”, ou seja preparar o pão com um pouco de tudo e desfrutar dos sabores com a merecida calma, ou não fosse este enorme prato perfeito para partilhar em família ou entre amigos.

O polvo grelhado com batata doce e harissa (molho levemente picante muito comum na cozinha do Norte de África) aioli (composto por azeite, alho e gemas de ovo, com textura e aspecto muito semelhantes à maionese, típico de cozinha provençal) é o primeiro do alinhamento deste “go big or go home” que, em breve, terá uma terceira opção. 

Paris-Brest (em cima), abacaxi com gelado de framboesa e gingerbread (à esquerda), e cremoso de yuzu e limão com crumble (à direita) protagonizaram o desfile de Outono e Inverno do Boubou’s

As sobremesas são já uma verdadeira ode à colecção de Inverno. O Paris-Brest – receita criada em homenagem à corrida de bicicletas que, outrora, percorria a distância entre a capital francesa e Brest, cidade localizada na região da Bretanha, a Oeste – feito com massa choux recheada com creme pasteleiro com avelã, foi o primeiro a finalizar o desfile. O cremoso de yuzu e limão com crumble foi para a garfada seguinte. As fatias finas de abacaxi com gelado de framboesa e gingerbread formalizaram, por sua vez, a despedida do Verão.

Carta à parte há, ainda, de segunda a sexta-feira, o Menu Boubou’s com hora marcada das 12h00 às 18h00. A escolha divide-se entre dois pratos (entrada e prato ou prato e sobremesa), uma bebida e café (€18) e três pratos (entrada, prato e sobremesa), uma bebida e café (€21).

Sobre a carta vínica, para já cerca de 99 por cento do seu conteúdo engloba vinhos portugueses. Em breve, esta lista será mais um convite para fazer uma volta ao mundo através de referências provenientes de regiões vitivinícolas tão faladas por aí. 

Agora marcar mesa no n.º 32A da Rua Monte Olivete, em Lisboa, no Príncipe Real. Bom apetite! •

+ Boubou’s
© Fotografia: João Pedro Rato
Legenda da foto de entrada: Os irmãos Luísa (a chef) e Alexis Bourrat (o co-proprietário), no Boubou’s

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