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20 vinhos para celebrar

Partilhar. Repartir experiências e conhecimento. Distribuir emoções. Sempre à mesa e na companhia dos amigos harmonizada com pratos tradicionais de tacho cheio e de apresentação aprimorada. Tudo justifica pôr a conversa em dia de muitas semanas passadas longe e de ausências prolongadas, porque estar perto, ao lado, a ouvir de viva voz é, desde sempre, o melhor bálsamo das amizades. Brindemos!

Região Demarcada dos Vinhos Verdes


A Quinta do Paço de Teixeiró, localizada na sub-região de Baião e há vários séculos nas mãos da família Montez Champalimaud, possui as condições edafoclimáticas ideias – microclima com noites frias e solos graníticos – para a casta branca Avesso. Paço de Teixeiró Avesso 2018 (€14), feito a partir de uvas vindimadas em cepas, com uma média de 35 anos, de uma parcela da Quinta do Paço de Teixeiró em consonância com o trabalho do enólogo João Grave. O resultado confere um vinho fresco e de aromas cítricos, características desta casta que, aqui, proporciona um final persistente. A produção remete para 800 garrafas numeradas.


+ Paço de Teixeiró

Região Demarcada do Douro


Códega de Larinho, Rabigato, Gouveio e Arinto são as castas selecionadas para este Costa Boal Homenagem Grande Reserva branco 2015 (€65), um vinho com uma acidez fora de série que potencial o envelhecimento em garrafa e a prova de que “o futuro será lançar brancos com mais idade”, afirma o enólogo Paulo Nunes. A vindima deste quarteto de castas típicas do Douro foi deita em zonas altas da mais antiga região demarcada do mundo que propiciam, precisamente, a colheita no tempo certo, por forma a viabilizar a acidez da matéria-prima. A homenagem é feita a Augusto Boal, pai do atual produtor António Boal que dedicou a sua vida à viticultura no Douro.


+ Costa Boal


O equilíbrio entre fruta madura e os frutos secos é notável neste Quinta D. Matilde 2013 Porto Colheita 2013 (€34), um Vinho do Porto de categoria especial feito a partir de uma única vindima em vinhas velhas e de castas autóctones do Douro plantada na Quinta Dona Matilde, situada no Cima Corgo. Este vinho, envelhecido em cascos com dezenas de anos e que aguardou sete anos até ser apresentado ao mercado, o terceiro da edição de Vinho do Porto Colheita da Quinta Dona Matilde, é perfeito para harmonizar com sobremesa feita a partir de chocolate e com frutos secos. É de salientar o percurso de Manuel Ângelo Barros, director geral do projecto Quinta Dona Matilde, no âmbito da história do vinho do Douro e do Porto. 

+ Quinta Dona Matilde

Região Demarcada do Dão


Touriga Nacional, casta que tem o Dão como seu berço plantada, neste caso, em vinhas que estão sob a influência do clima extremo da Serra da Estrela e em solos graníticos, é a eleita para este Dom Bella tinto 2016 (€16,90). Trata-se de um vinho sedoso e encorpado, com um final longo e potencial de guarda. Recomendado para harmonizar com pratos de caça, carnes vermelhas e sobremesas de chocolate com frutos vermelhos, este monovarietal do portefólio da IdealDrinks, proprietária de vinhedos distribuídos por várias regiões vitivinícolas do país, é da responsabilidade do enólogo Pascal Chatonnet.

+ IdealDrinks


Região Demarcada da Bairrada


Lopo de Freitas Bruto 2014
(€21). É um espumante bairradino feito a partir do método clássico que denota a vivacidade das castas brancas Cerceal e Chardonnay. As uvas de ambas as variedades foram colhidas em vinhas da Caves do Solar de São Domingos localizadas em Mogofores, a poucos quilómetros de distância da costa portuguesa, e previamente preparadas com uma ligeira monda, para obter a produção desejada e o resultado pretendido. A frescura e a elegância são os dois atributos mais evidentes neste espumante, o par perfeito para o típico leitão assado à moda da Bairrada, entre muitos outros ou não fosse esta a bebida mais versátil do universo vínico.

+ Caves do Solar de São Domingos


Região dos Vinhos de Lisboa


Salinidade, frescura, acidez e secura. Eis as características da Malvasia, casta tradicional da Região Demarcada de Colares, integrada na Região dos Vinhos de Lisboa, e deste Arenae Malvasia 2018 (preço sob consulta), da Adega Regional de Colares, uma excelente companhia para mariscos, bivalves e peixes, sem esquecer as caldeiradas, prato típico das zonas costeiras do nosso país. A preservação desta variedade de uva branca – a par com a casta tinta Ramisco – é digna de registo, já que continua a ser cultivada em pé-franco e em solos arenosos, técnica que impediu a proliferação da filoxera, em finais do século XIX, nesta região, assim como o facto da Adega Regional de Colares, constituída em 1931, ter sido a primeira adega cooperativa do nosso país, história a explorar in loco e com provas vínicas associadas. 


+ Adega Regional de Colares


Em terra de brancos predominados pela Arinto, a casta rainha da Região Demarcada de Bucelas, a única na Europa de denominação exclusiva para vinhos brancos, é de destaque este Çaloyo tinto 2012 (preço sob consulta), da Quinta das Carrafouchas, em A-das-Lebres, Santo Antão do Tojal, no concelho de Loures. Trata-se de um vinho com um extraordinário carácter equilibrado pelos aromas de frutos silvestres e um final de boca persistente feito a partir da casta Touriga Nacional. O trabalho efetuado pelo enólogo Hugo Mendes conta com o desvelo do produtor, António Maria Cannas, grande anfitrião desta casa centenária localizada às portas de Lisboa, na chamada região saloia, berço de muitos dos produtos outrora distribuídos pela capital lisboeta, da ovelha de raça saloia e do nome árabe inscrito no rótulo desta garrafa. História à parte, deixamos o desafio para, à mesa, fazer a harmonização com bochechas de novilho estufadas… com este vinho. É ir e conhecer!

+ Quinta das Carrafouchas


A nova imagem da gama S. Sebastião é a mais recente notícia da Quinta de S. Sebastião, produtor de Arruda dos Vinhos, e motivo para apresentar a colheita S. Sebastião Reserva tinto Sy TN 2017 (preço sob consulta). O vinho apresenta notas de frutos pretos e trufas, e denota estrutra e um final persistente, além de que revela ter um excelente potencial de guarda e de combinar na perfeição com pratos de carne vermelha. O novo visual representa modernidade e tem como objetivo destacar as castas utilizadas na feitura de cada vinho, tendo em conta que as referências com o rótulo S. Sebastião são feitas a partir de uvas da propriedade e de parcelas dos viticultores da região, parceiros deste produtor.


+ Quinta de S. Sebastião


Monte Bluna, produtor de raízes lisboetas, é a novidade do momento na Região dos Vinhos e Lisboa e Bluníssima Aragonez 2017 (€60) é a sua boa nova. Afinal, trata-se de um vinho com Denominação de Origem Arruda e, simultaneamente, representativo do carácter da Região Demarcada Arruda. Vindimada num planalto, de solo argilo-calcário e com generosa exposição solar e ventosa, influências vantajosas no que ao ciclo de maturação da uva diz respeito, esta casta tinta reflecte os seus aromas floral e a frutos silvestres, e exprime-se como um vinho muito equilibrado e guloso, tão apetecível com pratos de carne estruturados como os cozinhados de inverno.

Pode adquirir o pack do Bluníssima Aragonez 2017 aqui.


+ Monte Bluna


Quinta do Pinto Merlot 2016
(€27,50) é edição limitada da Quinta do Pinto, propriedade vinhateira situada em Alenquer, e um tinto monovarietal com um perfil aromático assente em frutos silvestres, cacau e frutos secos; é sedoso, frutado e equilibrado. Os atributos devem-se à casta tinta francesa e à forma como é trabalhada na adega, com particular incidência na fermentação feita com leveduras indígenas em depósito de cimento sob temperatura controlada, método comummente utilizado pela equipa de enologia da Quinta do Pinto, liderada por Rita Cardoso Pinto, o qual resulta em vinhos que vale a pena conhecer. Assim como a família e a propriedade cuja história conjunta é de conhecer de perto.


+ Quinta do Pinto


O minucioso levantamento histórico sobre a histórica Quinta do Gradil determina a celebração dos 700 anos de vindimas com uma imagem renovada que, no início de 2021 é transversal a mais referências, a somar a novidades no portefólio, e a toda a marca da empresa. Por isso, fica a sugestão deste Quinta do Gradil Tannat 2018 (preço sob consulta), casta muito querida de Luís Vieira, administrador desta casa cuja conclusão dos trabalhos de recuperação arquitectónica revela, desde 2019, a beleza do palácio desta propriedade vinhateira. As notas de cacau e o perfil aromático favorece o equilíbrio com os taninos e a acidez deste vinho, sendo esta originada pela influência do oceano Atlântico que se faz sentir neste lado poente da Serra de Montejunto e onde o enoturismo é a grande aposta a explorar.


+ Quinta do Gradil


A experimentação é a essência do trabalho realizado por André Gomes Pereira, na Quinta do Montalto, localizada na sub-região Ourém da Região Demarcada de Encostas d’Aires. Na mesma família desde finais do século XIX, esta propriedade vinhateira focada também na produção de Vinho Medieval de Ourém, é o núcleo da feitura deste Ânfora de Baco branco 2019. Trata-se de um vinho biológico feito a partir da casta branca Fernão Pires e em ânforas de barro pesgadas com resina natural à semelhança do método utilizado pelos Romanos há mais de dois mil anos, nas quais as uvas foram submetidas a um estágio, durante o qual permaneceram em contacto com as películas e as borras, após a fermentação pelicular. Resultado? É um vinho fresco e com uma acidez fora de série. A continuar este projecto iniciado em 2017.


+ Quinta do Montalto


Região Demarcada da Península de Setúbal


Frutado e fresco, e com uma acidez viva, este Quinta de Camarate branco seco 2019 (€7,99) da José Maria da Fonseca denota as características das castas brancas Alvarinho e Verdelho plantadas na Quinta de Camarate, propriedade vinhateira situada em Azeitão. A enologia é da responsabilidade de Domingos Soares Franco, função repartida com a de vice-presidente desta centenária empresa familiar com muito para visitar. Termine o percurso pela história desta casa na By The Wine Azeitão, a flagship store que é restaurante e loja de vinhos instalada no antigo refeitório da José Maria da Fonseca.


+ José Maria da Fonseca


Região Demarcada do Alentejo


Do trio de sonhadores é de destacar este Howard’s Folly Sonhador tinto 2016 (€12) feito a partir de Alicante Bouschet, Syrah, Aragonês e Touriga Nacional, quatro castas vindimadas nas graníticas montanhas da Serra de São Mamede, no distrito de Portalegre. Os aromas de frutos vermelhos, a textura suave e a frescura natural dos vinhos elaborados por uvas provenientes das vinhas desta zona específica do Alto Alentejo refletem o resultado desta referência cujo rótulo é da autoria de jovens participantes em programas de artes expressivas da Sovereign Art Foundation. A Howard’s Folly, projeto criado pelo coleccionador de arte Howard Bilton e o enólogo australiano David Baverstockpel,o é uma adega urbana situada em Estremoz cuja produção está centrada na composição de lotes de vinho elaborados com variedades de uva selecionadas da região vitivinícola alentejana.


+ Howard’s Folly


Sediada no Alentejo, a Fita Preta, fundada pelo enólogo António Maçanita e o viticultor inglês David Booth, revela que O Alfrocheiro também quer estar Nu Unoaked 2019 (preço sob consulta). Despida de preconceitos nesta garrafa, esta casta é vindimada em vinha com cerca de meio século e posta a nu no nariz e na boca com notas florais e de terra que lhe são muito típicas e, segundo o enólogo, é recomendado para acompanhar “pratos de tacho com gordura” e, porque não, um arroz de cogumelos ou porco preto. Aproveite para rumar ao distrito de Évora e conhecer a Fita Preta de perto.


+ Fita Preta


A Herdade do Esporão, situada em Reguengos de Monsaraz, é o berço da Antão Vaz, Arinto e Roupeiro, as castas brancas que fazem parte deste Esporão Reserva branco 2019 (€16,99), a primeira colheita desta referência com certificação biológica e a materialização da conversão das vinhas, ao fim de dez anos, desta enorme propriedade vinhateira, para modo de produção biológico. Elegante e pleno de notas de fruta e especiarias, ostenta um rótulo peculiar ilustrado pela fotógrafa holandesa Anne Greene à semelhança das demais referências em que a artes está patente desde 1985.

Pode adquirir este vinho aqui por €13,59


+ Esporão


O vinho de talha é tradição milenar no Alentejo e Talha XXVI Mestre Daniel Talha XV Tinta Grossa 2019 reflete esse costume através deste vinho seco e acidez alta, com toque a frutos silvestres, leve resina e final longo. O projecto XXVI Talhas tem Vila Alva como seu núcleo de fabrico deste vinho artesanal deixado pelos Romanos há mais de dois mil anos e resulta da homenagem a Daniel António, o Mestre Daniel, como era conhecido, que ao ofício de carpinteiro somava a de produção de vinho. O número 26 está associado à quantidade de talhas existentes na adega, das quais 22 são de barro e quatro são de betão – datadas de 1930 – e fabricadas por artesãos vilalvenses.

Pode adquirir aqui um pack de 3 garrafas com 10% de desconto e entrega gratuita.


+ XXVI Talhas


Edição limitada e numerada, a Herdade do Moinho Branco Alicante Bouschet 2015 (€39,90) é a referência do momento da Ribafreixo Wines, empresa de Mário Pinheiro e Nuno Bicó sediada na Vidigueira. Desenhado pelo enólogo Paulo Laureano, este tinto denota os atributos desta casa tinta que, neste vinho, revela ser o par perfeito para carnes vermelhas grelhadas, pratos de caça ou carne assada, graças à sua complexidade e estrutura equilibrada pela frescura, característica comum a muitos vinhos feitos a partir de castas colhidas na Vidigueira.  

Pode adquirir este vinho aqui com entrega gratuita.


+ Ribafreixo Wines


Mértola é o epicentro da Herdade Vale d’Évora, onde é aprovada a produção do Grande Discórdia branco 2018 (€29,70). Elaborado a partir da casta Arinto, este vinho monovarietal denota complexidade, frescura e um final longo, atributos que rimam com pratos de peixe e marisco, graças ao empenho do enólogo Filipe Sevinate Pinto. A vinha de Arinto, plantada, em 2009, na Herdade Vale d’Évora que, por sua vez, está integrada no Parque Natural do Vale do Guadiana com uma envolvente preenchida por um património natural a conhecer.


+ Herdade Vale d’Évora


Região dos Açores 


Arinto dos Açores 2018
(€27,50) é o vinho com Denominação de Origem Pico a salientar pelas suas notas típicas, mas mais intensas, sobretudo a salinidade pela proximidade do Oceano Atlântico e pelo facto de ser elaborado com leveduras indígenas, quando comparadas com as da mesma casta plantada em Portugal Continental. Produzido pela Azores Wine Company, empresa constituída pelo enólogo António Maçanita, pelo empresário Filipe Rocha e pelo viticultor Insula Vinus, e com vinhas na Ilha do Pico. Recomendam-se ostras, bivalves e demais sabores marinhos para combinar com este vinho.

Pode adquirir este vinho aqui por €23,90.


+ Azores Wine Company

© Fotografia: João Pedro Rato

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